quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Frases



Quem respira arte! É como respirar a leve brisa do perfume que ainda não foi criado. É viver em um mundo encantado de possibilidades infinitas. É navegar na beleza da imaginação que leva - me onde eu quiser. Alimento-me de arte.




Chega devagarinho para não acorda meu coração, porém, se acordá-lo não o deixe adormecer.




Sabia! Não deveria ter confiado no azul dos teus olhos, hoje vivo procurando-o no céu. Nem as estrelas aceitam meu olhar, porque elas sabem que o brilho dos seus olhos nem elas podem imitar.

O silêncio da solidão é tão barulhento,  que não consigo ouvir a tristeza dizer que não agüenta viver sem a alegria.


Prendo tanto nos meus princípios que fecho os olhos para o primeiro grande principio: não minta a si mesmo.

Um sábio um dia me disse, que o amor era a maior das forças, que o dia que encontrasse essa força, não precisaria de mais nada. E eu a perguntei: - aonde encontro esse tal de amor?

Ele sorriu e me disse; - não sei, nunca o vi...

Gosto da água por sua simplicidade e leveza. Sua macieza toca a pele, alimenta a alma, porém na sua essência existe um furacão que destrói todos e tudo que entra na sua frente, nada é capaz de segurar por muito tempo...


A minha alma me consome em verdade que não quero saber.! Ela me futuca com sentimentos que nunca senti. O vazio toma conta de mim, a alma grita, mas meu coração chora, e eu? E eu...apenas sobrevivo.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Lama do Sarney

Mais uma vez me sinto lesado pelos os políticos dessa nação. Fico perplexo diante do noticiário. O que são 11 acusações? Diante de um senado cheio de lama. Ora que saudades do PT do contra! Hoje temos um PT maquiado. Lula gostou do jeitinho, não faço barulho, não incomodo ninguém e conseqüentemente ninguém me incomoda e ano que vem elegem a Dilma Rousseff e tudo continua como está. E nós brasileiros temos que simplesmente colocar as orelhas de “burros” e viramos de costas esperando o próximo festival de pizza. Vamos povo brasileiro! Vamos aplaudir a vergonha do PT que antes, bem antes de eleger um presidente, era de oposição, hoje seu líder grita: “Seria uma hipocrisia eu ler uma nota com a qual eu não concordo”. Hipocrisia somos nós continuarmos como espectadores de um pântano chamado Senado que nos fazem engolirmos caranguejos porque os sapos da lagoa já engolimos todos.  Até quando vamos deixar que carimbe em nossa testa, “ele rouba mais faz”? Dessa “briga” no Senado nós brasileiros podemos acreditar em uma única coisa: A gripe A H1N1 essa sim é verdadeira e mata.

domingo, 25 de julho de 2010

O preço de uma escolha!



O sinal tocou e todos saíram correndo para o pátio da escola. Ana sentou em um local isolado, pegou seu diário e começou a escrever os seus pensamentos. Apesar de ter dezesseis anos, gostava de escrever a sua vida.
Suas amigas a condenava por isso, e também por ela ainda ser virgem; com se isso fosse uma doença, e na verdade, isso também a incomodava, queria sim, sentir o que as amigas falavam para ela, essa coisa boa que é o sexo, queria arrumar um namorado, o seu príncipe, mas só encontrava sapo!
O sinal bateu e ela voltou para aula, e recebeu a noticia que o professor havia faltado, pegou suas coisas e saiu, viu sua amiga conversando com dois caras e foi falar com ela.
Oi Ana!
Esse é o Roberto meu namorado e esse é o Rafael amigo dele.
Ela os cumprimentou e foi para casa, o Rafael a seguiu, e começou a puxar conversa, pensou: mais um sapo querendo me beijar! Respondia com frases pequenas para a conversa acabar logo, mas Rafael insistia e a venceu pelo cansaço: deu um beijo nele para ele a deixar em paz.
No outro dia ao sair da aula, o raio de Sol ofuscava um pouca a vista dela, mas mesmo assim viu o que não queria ver. O Rafael deveria ter uns vinte e dois anos, vestia de modo estranho, falavam em giras, não parecia nada com o príncipe que ela sonhava. Antes de concluir seu pensamento ele veio e a beijou. Ela ficou parada, não esperava!
Ele a pegou pela mão e levou para sentar em um ponto de ônibus. Pensou ela: - muito romântico isso! Eles falaram de tudo, o Rafael muito engraçado, ela nem viu o tempo passar, e dali surgiu um namoro. Sonhava que um dia seu sapo virasse um príncipe!
Tudo segui bem, todo dia Rafael a esperava na porta da escola e ela ficava namorando com ele, conversando, dando risada, estava feliz, e o Rafael já não era tão feio como no inicio, tudo seguia bem, até Rafael vencer ela pelo cansaço pela segunda vez.
Ela aceita ir para casa dele depois da aula e aconteceu o que Ana sabia que ia acontecer, ela perdeu a virgindade, não foi nada de conto de fada, nada prazeroso, mias não importava para Ana, o que importou mesmo foi que daquele dia em diante, não tinha mais conversa demorada no ponto de ônibus, beijos gostosos na porta da escola, era sempre a mesma coisa, saia da escola e ia para casa dele.
Depois de um tempo Ana começou a gostar de fazer sexo com ele. Ana gostava daquela vida de namorada, de manha estudava e a tarde ficava com ele.
Um belo dia percebeu que a menstruação não vinha, os dias passavam e nada, os enjôos começaram, a tontura a derrubava, e o mundo desabou sobre ela, foi confirmado. Ana estava grávida!
Seu pai a expulsou de casa. Foi morar na casa do namorado, outra vez invadiram seu conto de fada, morava em uma casa grande, tinha seu quarto, geladeira farta, e se viu morando em uma casa de dois cômodos, que morava, uma família de quatro e com ela cinco pessoas, e ali começou a transformação em sua vida, nunca havia passado fome e começou passar, o pouco dinheiro que tinha comprava bolacha escondia para comer quando todos dormiam, mas estava apaixonada e a paixão agüenta tudo, até pegar o dinheiro que ganhava, por que começou a trabalhar na feira, e sustentar a casa. Seu namorado não conseguia emprego, o mercado tava difícil, dizia ele.
Morando ali descobriu que seu príncipe não prestava, se envolvia com drogas, que já tinha um filho com outra mulher. Como ela foi boba! Por que não viu isso antes, uma pessoa que fica meio dia na porta da escola esperando as adolescentes sair da aula, quando deveria está trabalhando, o que se pode esperar de uma pessoa dessa?
Com muita luta sua filha nasceu, uma menina linda, era mágico ser mãe. Dali seus problemas só aumentaram passou tanta necessidade que seu pai ficou com remorso e a levou de volta para casa, chorou por perceber que sua casa não era mais o castelo que ela deixou, saiu da casa como princesa, e voltou mãe, seu pai rígido que era, falou:
- Você voltou para minha casa, mas agora você vai viver exclusivamente para sua filha!
Eu não sabia o que era isso, mas aprendi, quando minha filha acordava, eu tinha que está acordada com o leitinho dela feito.
Sexta-feira minhas amigas todas felizes se arrumando para ir se divertir na noite bonita que se formava, eu olhava para lua e antes de concluir meus pensamentos escuto o choro da minha filha e fui fazer a mamadeira dela e colocar ela para dormi, eu sentei na cama e fiquei imaginando onde minhas amigas estavam e o que faziam e bateu uma tristeza.
O mundo tinha se transformado para mim, virei mãe quando na verdade eu só queria transformar um sapo em um príncipe, me vi uma menina ter que criar uma filha sozinha, ter que ser mãe quando eu queria era me divertir, sair, curtir e conhecer meu verdadeiro príncipe!
Um dia Ana resolveu sair com suas amigas e levou a filha com ela, que já estava um pouco grande, foi quando ela sentiu realmente o que tinha feito com sua vida, os erros que ela cometeu vieram naquela hora, suas amigas se divertindo, dançando, beijando, e ela sentada com sua filha no colo, foi nesse dia que entendeu o que era viver exclusivamente para sua filha, simplesmente levantou e foi para casa, depois desse dia ela não sai mais e vivia só para filha.
Ela gritou para si mesmo: - a minha vida mudou, eu perdi a melhor fase da minha vida, a minha juventude, por não ter me cuidado e ter usado camisinha, quando eu aceitei fazer com ele sem camisinha eu estava mudando a minha vida naquele momento, a vida dele continuou a mesma, por que geralmente quem cria filho é a mãe! Hoje a minha filha tem dez anos, tudo é diferente, ela é mais minha irmã do que minha filha, fico pensando o que teria sido de mim se meu pai não tivesse me acolhido de volta.
Ter filho é ótimo! Mas planejado, dentro de um lar como uma família.
Use camisinha e não deixa um único momento mudar toda a sua vida!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Mãe!





Escolhi em todas, uma, que um dia ia ser a minha guia.
Inocente, tentando entender o porquê de nascer,
e em seu seio sobreviver.

Continuei a observar esse olhar que sempre vinha a me admirar,
senti no calor da sua mão me acariciar.

Lá dentro não conseguia raciocinar
o porquê de esperar
nove meses para seu rosto observar.

Comecei a chutar,
e de alegria ela veio me acariciar,
senti seu amor me acalmar.

Quantos sonhos que eu imaginei sem ao menos gritar, ou falar,
mas meu coração veio chamar
essa pessoa que vem me carregar,
sinto que ela sabe o que é amar.

Dias passaram.
Ela me leva de um lado para outro sem reclamar,
eu não agüento esperar,
quero ver seu rosto me amar.

Fico triste porque ela precisa trabalhar
e seus pés inchar,
e meu peso aumentar,
e seu corpo transformar,
mas não deixo de sentir o seu jeito de me amar.

Queria dizer que seu esforço um dia eu vou recompensar,
que alegria eu ainda vou dar,
não consegui gritar,
mas um chute eu vou dar,
e ela de novo veio me acariciar,
tenho certeza que ela sabe
que eu vou amar.

Chorei de alegria por que ela sorria,
como se tivesse ouvido as minhas desculpas
por fazer do seu corpo meu lar,
e de seu coração o meu habitar.

Ouvi seu grito,
e a correria começar,
uma bolsa estourar,
tremia de medo ao sentir sua dor a gritar.
E uma mão me pegar.

Quem queria do calor dela me tirar?
A raiva começou a apertar,
dela não quero mais largar,
o amor que ela ensinou em mim está,
mas ele continuou a me tirar,
chorei ao sentir o ar,
mas acalmei ao sentir seu olhar a me admirar,
e seu amor em mim eternizar.

Entendi o verdadeiro amor de mãe que tanto eu escolhi
e nos seus braços eu percebi
seu coração explodir
de emoção ao me sentir,
e ali eu permaneci
e naquele coração para sempre eu vivi.

Mãe!
Hoje eu vou sorrir
por que no seu coração eu sempre vou existir.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Só por hoje...


Era um domingo qualquer desses domingos que não chove e nem faz sol e a garoa fininha roubava toda cena. Estava em casa. Minha mãe, vaidosa que é, foi passear no shopping comprar um modelo novo de sandálias. Meu pai trancado no escritório relendo relatórios enquanto eu no sofá trocando canal da televisão. Peguei o telefone e liguei para um amigo. Maldito telefonema, pois ali começou tudo! Nos encontramos em uma praça. Era estréia da banda de um amigo nosso e eu nos meus dezesseis anos de vida, nunca tinha fumado nenhum cigarro.
Fiquei assustado quando olhei todos vestidos de pretos e eu de camisa laranja, eles deram risada, mas me aceitaram no grupo e fomos para a festa.
Estava empanturrado de tanto beber, mas não poderia parar, afinal, eu sou um homem e um homem não pode parar de beber primeiro que o outro!
Um da mesa sacou um saco plástico com um pouco de pó branco dentro. Eu não sabia o que era, mas era algo muito bom pela gritaria de todos. Ele tirou um cartão fez várias carreirinhas e cada um cheirava um pouco. Percebi que era droga. Ao chegar a minha vez, lembrei das palavras do meu pai:
- Droga é ruim, não entre nessa!
Fiquei parado olhando para a droga e toda a mesa me olhando.
- Vai amarelar? Ou melhor, com essa camisa é “laranjar”. Todos caíram na risada.
Eu desistir de alguma coisa? Nunca! Eu sou um homem!
Abaixei e cheirei tudo até o final e fui aplaudido. Senti meu nariz arder, meu corpo mudar, fiquei mais leve. Fui me soltando mais, sentindo mais divertido, mais alegre, subiu uma sensação de alegria, e aquilo foi ficando cada vez melhor e melhor. Era uma sensação que não conseguiria explicar; um êxtase de um orgasmo multiplicado em dez vezes.
Meu pai era um imbecil! Droga é a melhor coisa do mundo. Ficamos ali cheirando a noite toda e aquela foi a melhor noite da minha vida.
Acordei no outro dia em casa com minha mãe brigando comigo, uma dor de cabeça e uma ressaca infernal, prometi para mim mesmo que nunca mais ia beber.
Lembrei da droga e minha mente queria mais, pedia aquela sensação de novo.
Liguei para meu amigo e ele me explicou como encontrar a droga. Depois daquele dia virei freqüentador nato de favelas e mergulhei de cabeça no sonho que as drogas me davam: se meu time perdesse, eu usava porque estava triste; se ele ganhasse, eu usava para comemorar.
Cheguei a um ponto que não era eu que usava a droga, mas sim ela que me usava. Eu não trabalhava e o único jeito de conseguir dinheiro era roubar a carteira do meu pai, a bolsa da minha mãe, e quem leva a culpa era a empregada.
Ganhei um tênis da Nike original do meu pai de aniversário, não sei quantas molas, caríssimo. Vendi na boca por cinqüenta reais e cheirei-o em um dia. Vendi tudo que tinha. Até a televisão do quarto eu cheirei na boca. Emagreci, perdi ano na escola, minha mãe entrou em depressão, meu pai não falava mais comigo e não tinha amigos.
Precisava cheirar e não tinha dinheiro. Rasguei a roupa, fiquei descalço e saí pedindo dinheiro na rua, o que consegui não dava para comprar a droga.
Conversei como dono da boca, ele deixou para pagar no outro dia. Porém, no outro dia queria mais droga e o dinheiro que arrumei não dava para pagar a do dia anterior. Esperto que sou! Pensei em partir para outra boca.
Ontem o dia estava quente, sai para passear sem rumo; estava chegando na porta da casa da minha namorada quando o traficante me achou me deu um soco que me fez cair no chão e me jogou dentro do carro.
Chegamos em um galpão. Ele começou a me bater que quebrou três costelas minhas, me colocou de joelhos e com a arma apontada na minha cara, pedia o dinheiro dele. Eu não tinha mais nada de valor; comecei a chorar a pedir desesperadamente pela a minha vida. Sentia o ódio dele em cada palavra que gritava no meu ouvido.
Sabia que ia morrer!
Sentia a bala entrando na minha cabeça, gritava, mas ninguém me ouvia. Os que estavam ali com ele começaram a dar risada; pensei em como o mundo das drogas é cruel: as pessoas sempre estão dando risadas de você, comemoram quando você entra e também dão risada pelo seu fim. Fechei os olhos esperando a morte quando ouvi a voz da minha namorada gritando:
- Não faça isso pelo amor de Deus!!!!
Abri meus olhos e não conseguia enxergar direito mais a reconheci; fiquei pior ainda, pois a única pessoa que não me abandonou iria morrer pelo meu erro.
O traficante pegou-a:
- Que bonitinho vai morrer juntos!
- Por que vai matar meu namorado?
- Ele me deve!
- Deve quanto?
O cara que ia me matar nem sabia do valor que eu o devia. Pegou o caderninho dele e verificou o meu nome
- Doze reais.
Eu comecei a chorar. Minha vida valia dozes reais.
Ela gritou:
- Eu pago! Eu tenho dinheiro!!
O traficante virou e disse para mim:
- Deveria matar você somente pelo fato de tentar me enganar. Mas a sua namorada me fez lembrar da minha que está grávida e em nome dela vou atender o pedido da sua.
Ele virou e foi embora.
A essa hora era para eu esta no caixão e minha namorada chorando no meu velório. Mas graças ao amor da minha namorada me livrei da morte. Contudo, busco me salvar do mal que me mata todos os dias um pouco: as drogas.
Sempre há uma chance de recomeçar!
Essa história eu criei. A sua está nas suas mãos. Se você não conseguir sozinho, procure um N. A. (Narcóticos Anônimos).

domingo, 27 de dezembro de 2009

Adeus ano velho!



Marco arrumava sua mala. Não estava nem um pouco com vontade de ir para praia.
Nessa época do ano a praia fica um inferno, tudo cheio, fila para tudo e ainda mais, sempre falta água.
Mas todo final de ano era a mesma coisa, sua família tinha que alugar uma casa na praia.
Ficavam horas parados no trânsito para ver alguns segundos de fogos.
Ver gente pulando onda, jogando flores brancas no Mar. Como se isso fosse resolver os problemas que nem eles mesmos sabem como resolver.
Sua mãe entrou no quarto:
-Filho não demora! Seu pai já está chegando.
Ele apenas olhou-a e continuou a guardar a roupa.
Nunca ligou muito para o tempo mesmo, sempre achou uma inutilidade comemorar troca de ano. Sempre a mesma coisa! Muitos planos e pouca ação.
Só a troca de ano, porque se fossem dias corridos, não pararíamos para analisar o que deixamos de fazer, e passaríamos a vida toda trancado em um escritório.
Mas um sábio homem criou o calendário e depois disso começamos há medir o tempo.
E no final de cada ano paramos e analisamos o que deixamos de fazer e fazemos várias promessas para o próximo ano. Pena que passa o ano e continuamos sem fazer as coisas que planejamos, virando um círculo vicioso, analisamos, identificamos, fazemos promessas e continuamos a agir da mesma forma. E o que podemos dizer é somente: - Adeus ano velho e que venha ano novo!
Fechou sua mala e desceu as escadas, colocou-a no porta-malas do carro e seguiu em direção a praia.
O tempo estava nublado, mais isso não importava para seu pai que sempre no último dia do ano tinha que ver o Mar. Era até bonito isso, o chato, era que todo mundo tinha a mesma idéia que ele e com isso a Marginal lotava de carros. Apenas encostei minha cabeça no banco e fechei os olhos e tentei relaxar porque a viagem ia ser longa.
Acordei com meu pai desligando o motor e minha mãe me chamando.
A casa era bonita, apenas deu tempo de colocar à mala no sofá e meu pai me pegou pela mão e saíamos para praia.
A dificuldade era grande de andar na calçada devido os pedestres.
Realmente o cenário da praia era bonito, a onda em contato com a areia em um vai e vem constante, o Mar tão calmo e ao mesmo tempo tão barulhento.
Ao colocar meus pés na areia, meu pai largou minha mão e saiu correndo pulando no Mar. Era impressionante a felicidade dele. Já estava acreditando que o Mar era um purificador de alma, como ele dizia.
Pensei em entrar também, mas vi junto com as ondas uma espuma branca causada pelo esgoto que os homens teimam em jogar no Mar, aí desisti. É impressionante como o homem é capaz de acabar com a natureza, um Mar tão grande e eles conseguem poluir!
Meu pai saiu do Mar e voltamos para casa.
A meia noite chegou, e com ela todas as pessoas que tiveram a mesma idéia de passar a virada do ano na areia da praia.
Todos de branco, a alegria que demonstravam era contagiante. Elas se abraçavam. Fiquei a imaginar quantas vezes durante o ano a mãe abraçou o filho! A irmã abraçou o irmão! Por que eles não carregam essa alegria da virada do ano para o ano todo?
O céu se abrilhantou com várias espécies de fogos de artifício. Nuvem de fumaça encobria todos os planos que deixamos para trás.
O ano novo chegou e agora era à hora de esquecer o que passou e recomeçar tudo que planejamos.
E que a champanhe nos banhe de força e as flores brancas que jogaram no Mar, para todos os santos, nos ajudem para que o próximo ano seja de muitas conquistas.
No próximo réveillon estaremos aqui de novo e não como um simples espectador olhando para o Mar que sorri das nossas fraquezas, mas sim como a nuvens dançando e cantando a nossa vitória.
Ano novo! Seja bem vindo e traga com si a alegria de que viver é bom, que cada minuto é eterno, e que cada sonho realizado é uma dádiva, e que a vida é um livro e nós somos os autores, os maestros da nossa vida.
Meu pai segurou na minha mão, os fogos cessaram, agora apenas restava irmos para casa e esperar alguns segundos de magia do próximo final de ano.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sai da frente que quero passar!


Arrumei a gravata cantarolando uma música alegre me mantendo feliz para ir trabalhar. Cinco minutos haviam passado do horário que saia para o trabalho. Peguei a pasta desci as escadas a mil. O cheiro de café me fez diminuir a velocidade dos meus passos. Respirei fundo mais não dava tempo de tomar o café. Não trabalho longe, são os obstáculos do caminho que impedem a minha chegada rápido.
Entrei no carro acelerando, me sentindo o Rubinho Barrichello, principalmente quando tive que parar atrás de outro carro!
E foi ai que começou o meu desespero. É impressionante como cinco minutos que saímos atrasados faz uma grande diferença no trânsito de São Paulo. A fila de carros era enorme.
O que me irrita é a bondade de nós brasileiros. Segue um carro atrás do outro em fila e ninguém reclama. Mas, não é reclamar com o carro do lado que não deu seta e entrou na sua frente, e sim, reclamar com as autoridades responsáveis. Exigir um meio que resolva esse problema do trânsito em São Paulo. Vi uma pessoa correndo no acostamento se exercitando e liguei o cronômetro do relógio. Verifiquei quanto tempo levava para ultrapassá-lo. Levei quinze minutos para voltar a vê-lo. Porque ele seguiu em frente e não o vi mais.
Conclusão: Deixam seus carros em casa e vão para o serviço correndo, vai entrar em forma e ainda ajuda o Governo com o fim do transito.
Eles iriam fazer o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para o trânsito, porém desistiram, teria que mudar o nome para PDC (Programa de Desaceleração Continua). Fique pensando o que fazer no trânsito. Ginástica seria uma boa!
Vou mandar uma sugestão para o Governo. Pedir para colocar um Professor de educação física no meio do trânsito dando aula de alongamento, tudo bem se chega no serviço estressado, mas o corpo vai está alongado! E em certa hora, dar até para sair do carro e fazer polichinelo. Seria bizarro mais talvez funcionasse!
Podia também, mandar as crianças que ficam fazendo marabale no trânsito para escola e colocar no lugar um Circo fazendo seus espetáculos. Como os paulistanos não têm tempo ou dinheiro para cultura, então vamos levar a cultura para eles e, para atingir o público máximo, nada melhor, que no trânsito.
Imagina: respeitáveis motoristas! Sei que vocês queriam estar em outro lugar. Como não tem outro jeito. Vou lhe apresentar o meu número. Um aviso de última hora: os palhaços não vieram, eles não queriam concorrer com vocês ai dentro do carro!
Fui tirado da minha utopia pelo barulho de uma sirene pedindo passagem. Pensei: “ir para onde”? Vi carro na frente, atrás, do lado, joguei o meu no canteiro e fiquei indignado com algumas pessoas que pensam que são espertas e vai seguindo atrás da ambulância para fugirem do trânsito podendo causar um acidente. Brasileiros sempre querendo tirar vantagem!
Depois de muita angústia e paciência consegui chegar ao trabalho. Começando o dia irritado, porque se peguei trânsito para vir, pegarei para voltar. Mais como sou legítimo brasileiro que aceita tudo do Governo, vou continuar meu dia buscando paciência, não sei aonde, para enfrentar o mesmo trânsito para voltar pra casa e assim seguimos em frente, ou melhor, tentamos...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Não dê esmola, dê futuro!




O Sol refletia no asfalto o fervor da sua ira, o barulho ensurdecedor dos carros envolvia a cabeça do Cleiton que ensaiava em um pequeno espelho de mão a cara de coitado, esperando o farol fechar. Os primeiros carros foram parando rente a faixa. A interpretação começou: o palco era a rua e a platéia dentro dos carros aplaudiam o coitadinho do Cleiton, sem ao menos olhá-lo. Ele, sorrindo, pensou ao jogar as inúmeras moedas no bolso: “Estou ficando bom nisso”. Olhou no relógio e viu que o carrão que o financiava estava atrasado e logo agora, que faltava pouco para ele comprar o que tanto queria.
O farol abriu e ele voltou para seus sonhos. Tinha vários sonhos: comprar uma moto muito louca, dar um “rolê” na praia, entrar no shopping e comprar uma roupa muito “dahora”. Estava experimentando a roupa e o farol fechou junto com seu sorriso. Viu o carrão parado e foi até o carro bateu no vidro que foi abrindo aos poucos, o motorista nem olhou no rosto dele.
- Dá um dinheiro tio?
Recebeu dois reais e agradeceu. – Obrigado tio.
Contava as moedas ao sentir a mão nas costas.
- E ai moleque já arrumou a grana?
- Falta pouco irmão!
- Então a parada está guardada, quando tiver a grana me passa um “fio”.
- Falou mano, quando tiver o dinheiro te ligo.
Sentou e ficou pensando nos seus sonhos. Queria estudar, mas ia para escola e não aprendia nada, ou melhor, aprendeu sim, a primeira vez que fumou maconha foi na escola. Queria ser advogado andar engravatado ser chamado de doutor, pegar várias “minas” bonitas. Mas onde ele morava e com os pais que ele tinha não ia ser nada. Se quisesse viver tinha que fazer os “corres” dele.
Seu o pai vivia dizendo:
- Já tem quatorze anos. Está na hora de arrumar dinheiro para casa! O farol fechou e lá foi ele de novo. - O bom de pedir dinheiro no farol é que o povo comprovava o que eu sempre soube: que sou um nada. Quando me vêem chegando sobem o vidro ou fingem que não me vê. Mas isso logo vai acaba. Eles ainda vão olhar nos meus olhos. Falta pouco.
- Dá um dinheiro tio, vinte centavos servem.
- Obrigado tio!
A noite chegou. Antes de voltar para casa parou, desenterrou a lata com seu dinheiro guardou um pouco e levou o resto para o pai. Chegou a casa ouviu de fora a gritaria. Foi sorteado, era dia de briga pai versus mãe. Abriu a porta e recebeu um carinho do pai, um tapa na cara que o fez ver o chão rodar.
- Aonde você tava até agora, cadê o dinheiro?
Meteu a mão no bolso retirou as moedas e recebeu outro tapa.
- Não acredito que você apenas conseguiu isso. O filho do vizinho chegou antes e trouxe bem mais.
Ele apenas com a cabeça baixa, ouvia. Não adiantava recrutar pois, a cada palavra dele, recebia um tapa do pai. Esperou o pai terminar e foi para sua cama sonhar com um lugar maravilhoso, sem pobreza e sem pai.
O Carrão parou na frente dele e sem que ao menos pedisse, o homem abriu o vidro, estendendo a mão com dois reais. Assim que pegou o dinheiro o homem fechou o vidro. Ele ficou ali parado, olhando o carro ir embora, pegou o dinheiro que tinha no bolso, contou, sorriu de alegria e correu para o orelhão.
- Mano já tenho o dinheiro, encontro você aonde? Tudo bem! Estou indo ai.
O farol fechava e ele ansioso esperava o Carrão e nada dele chegar. Ao ver o carro apontar longe. Apertou o botão para abrir o farol para pedestres, pensou: “estou com sorte”, ao ver o farol fechar, e o Carrão diminuir a velocidade e parar.
O vidro foi abrindo e o homem esticou o braço com os dois reais na mão
- Ola tio! É melhor o senhor olhar para mim. Se assustou né? É um calibre 9 mm fabricada na Alemanha. Sabe Alemanha? Hitler! O senhor sabe é inteligente, o cano dela é gelado né! Comprei com seus dois reais, e para agradecer, o senhor vai ser o primeiro que assalto. – Vai logo passa carteira, relógio e quero aquele computadorzinho no banco também. – Qual é o nome dele? Isso mesmo, notebook! Vai logo que o farol vai abrir, isso mesmo seja bonzinho, não vai querer que eu aprenda a atirar em teu corpo né?
- Valeu tio e da próxima vez que for ajudar alguém, olha no olho dele. E assim Cleiton iniciou sua trajetória na vida do crime, financiado pelos dois reais que recebia no farol, não dê esmola, dê futuro! Ajude a tirar uma criança da rua hoje para ela não te assaltar amanhã!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ECLIPSE.


Todos se preparavam chegou o grande dia, fogos de artifícios foram preparados com cuidado, às pessoas passavam de um lado para o outro comemorando a chegada. O Grande Criador mandou avisar a todos que era dia de festa, o nascimento do seu filho.
Na sala a movimentação mostrava a preocupação e o cuidado dos médicos para que tudo fosse perfeito. Passaram algumas horas e o médico foi o primeiro a sentir o seu calor, todos olharam para o Grande Criador e ele balançou a cabeça concordando com a perfeição que ele criará.
A senhora Delicadeza deitada na mesa do parto olhou para o Grande Criador.
- Qual será o nome dele?
O Criador pegou nos braços e levantou-o bem alto.
- Ele chamará Sol o invencível! E avise para todos que a festa começa agora e não tem dia para acabar, o meu filho nasceu.
No outro lado da cidade, movido por gritos e dores fortes a parteira conseguiu retira-la da barriga, a sua mãe Fonte de Luz olhou-a e sorriu. O barulho de fogos chamou sua atenção, sabia da festa que havia na cidade, pensou como seria bom se fosse para sua filha, porém na sala só estava ela e a parteira e ninguém ia comemorar aquele nascimento, além dela mesmo. A parteira perguntou qual seria o nome dela.
- Ela se chamará Lua, acalmará os corações e será testemunha dos enamorados.
E assim os dois cresceram cada um sendo preparado para sua missão. Porém o senhor Destino brincalhão que é resolveu unir os dois.
O Sol passeava pelos campos floridos, pensava nas palavras do seu pai. “Você vai ser o rei dos reis”, uma voz doce o chamou atenção, se deixou envolver por ela.
- Vire-se para mim. Quero ver se sua beleza acompanha a sua voz?
A Lua parou de cantar e virou se.
- Impressionante como és bela!
A Lua agradeceu timidamente.
- Meu nome é Sol, qual o seu?
A Lua ouvia sempre a sua mãe falar do Rei Sol, que todos se curvavam perante a ele, agora ela ali na frente dele.
- Lua! Meu nome é Lua.
-Aonde você se escondeu por tanto tempo?
- Minha mãe não gosta que saia de casa, está me preparando para uma missão.
- Que missão é essa?
- Não entendo direito, ela me disse que serei a Luz para os que vêem e não enxergam que eles olharão para o céu e iram ver em mim uma esperança.
- Eu sou treinado desde quando nasci para ser a Fonte da vida. Respondeu o Sol.
Os dois ficaram conversando cada um contando sua missão.
Junto com o Destino o senhor Cupido atirou uma flecha e ali nasceu um grande amor proibido.
O Sol voltou para casa correu para o grande Criador que lia no silêncio do paraíso.
- Encontrei a minha companheira de vida, a quero do meu lado para sempre.
O Grande Criador olhou calmamente. – Esquece! Sua missão não permite companheira!
- O senhor não está entendendo, sem ela não tem missão nenhuma.
O Criador levantou olhou para ele, sentia seu calor, isso acontecia sempre que o Sol era desafiado, e áspero respondeu: - Você não tem escolha, vai cumprir sua missão independente da sua vontade! Agora saia.
Os dias passaram o Sol não tocou mais no assunto até o dia que entrou na casa com a Lua.
O Grande Criador ao vê-la estremeceu deu um soco na mesa. -É armação do Destino, é o único que atrapalha meus planos, tudo vai bem, o Destino aparece os planos acabam e ficamos ao acaso dele, mais dessa vez ele não vai atrapalhar. O Sol não pode ficar com a Lua é impossível!
- O que faz aqui com ela?
- Vim dizer que aonde eu for ela irá comigo.
O Criador enfurecido de raiva gritou: - Disse-te que não quero! Você não pode ter companhia, larga ele e saia daqui agora. Apontava para porta. A Lua estremeceu de medo e ameaçou sair. O Sol a segurou.
- Você não vai a lugar nenhum! Virou para o Criador: - Preparou-me para ser um Rei e como Rei faço minhas próprias escolhas, se não a aceita, irei embora, viverei como um qualquer mais viverei com ela. O Sol virou para sair, quando Delicadeza e Fonte de Luz entram na sala de mãos dadas.
As duas pronunciaram juntas: - Meus filhos escutem o Grande Criador, é impossível a união de vocês. - Sol você foi criado para dar a luz para milhares de terrestres, sem você não haverá vida nos Planetas.
- Ela irá comigo, ficará ao meu lado.
- Não! Gritou o Grande Criador.
Delicadeza acariciou o filho: - Filho! Fomos criados para uma missão e temos que cumpri-la mesmo que cause dor para quem amamos.
O Sol respondeu tão eufórico, que seu calor esquentava todos que ali estavam: - Nada e nem ninguém vai me separar dela.
A Lua tocou nele e foi o acalmando e esfriando-o: - Meu amor eu entendo o que sua mãe está dizendo tudo ficou mais claro para mim, não podemos deixar nosso orgulho falar mais alto, você precisa cumprir sua missão.
O Sol não gostou e gritou com ela: - Assim que você me ama? Estou deixando meu trono por você e me disse que agora está tudo mais claro.
A Lua acariciou-o: Nem a eternidade nos separará. Se não poderei ficar ao seu lado ficarei na sua frente, o seu calor me iluminará, ficarei em orbita para sempre ser aquecida pela sua luz.
- Não posso aceitar! Como viverei olhando para você sem poder te tocar?
O Grande Criador emocionado pela cena pronunciou: - Permitirei que vocês se encontrem por pouco tempo e nessa hora tudo ficará escuro para que ninguém os veja e darei o nome de Eclipse Solar para que todos saibam que esse momento é único para os dois.
O Sol revoltado não aceitou. A Lua virou para o Grande Criador e respondeu: - Pois eu aceito. Ficar um segundo ao lado dele é viver a eternidade esperando esse segundo.
O Sol virou para a Lua: - Você lembra a canção que cantava no dia que a conheci?
- Lembro!
- Cante ela para mim.
- Cantarei todos os dias, ouvirá sempre minha voz por perto e quando ouvir a parte que você me interrompeu é porque estarei ao seu lado.
O Grande Criador se pronunciou: - Agora vocês partiram para cumprir suas missões.
O Sol gritou bem alto para toda a cidade ouvir.
- Não fugirei da minha missão, contudo amaldiçôo os terrestres, ninguém conseguirá olhar direto para mim, quem ficar exposto a mim terá a pele queimada, se alguém tentar tocar em mim será estorricado e buscarei um jeito de acabar com eles e mostrarei a eles a minha ira.
O Grande Criador preocupado criou algumas barreiras para filtrar o calor do Sol, contudo se preocupou com a Senhora Ignorância que ia acabar com eles.
A despedida foi triste.
Fonte de Luz pediu para Lua não ir, sempre soube da missão da filha, mas não queria vê-la viver na solidão somente para acompanhar o Sol.
A Lua beijou a mãe e disse: - Somente entende o amor que o vive.
Os dois foram lançados no Universo. De dia Sol esquenta tudo com sua ira e a Lua vem na noite cantarolando para esfriar o seu amado, esperando o dia que os dois se encontrarão por alguns segundos.
O Grande Criador virou para o Destino: - Você aprontou mais uma, colocou em prova um Universo inteiro.
- Foi para essa missão que você me criou, tornar possíveis encontros e desencontros, tudo aquilo que toco há um propósito, não tenho culpa que a Senhora Ignorância não permite que eles enxerguem a sua missão.
O Grande Criador deu uma gargalhada: - Se a vida fosse fácil, não haveria beleza nela, o bonito da vida são os desafios, as conquistas, eles sim farão o mundo se mover e no final tudo que criei terá suas experiências, voltaram para mim e faremos uma grande festa juntos. Sorrindo os dois seguiram seus caminhos.

Osvaldo Valério

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Centro de São Paulo






PARTICIPEI DO CONCURSO DE POESIA DA FACULDADE ADVENTISTA PARANAENSE, FIQUEI EM SEGUNDO LUGAR COM ESSE TEXTO.

Maria partiu para um lugar deserto, queria conversar com ela mesma. Não entendia o que é conversar com ela mesma! Mas quem entendia a Maria? Tarefa difícil. Encontrar um lugar deserto em São Paulo, mas ela saiu a procurar, encontrou uma árvore, isso mesmo, uma única árvore solitária igual à Maria, ela se ajeitou, e deixou seus pensamentos tomar conta dela, mas era tanta gente em seus pensamentos que descobriu que não estava sozinha.Maria saiu andando pela rua, parou no boteco tomou um pileque, cuspiu no chão, agradeceu o santo, mostrou o dedo para um senhor que olhava com desdém. Avistou de longe um cachorro que cheirava o lixo buscando comida e logo na frente um homem que rasgava o lixo e comia a comida que havia nele. Maria ficou indignada com o cachorro. Coitado comendo comida do lixo! Passou a mão na cabeça dele e atravessou a rua para não encostar-se no homem.São Paulo torna atraente para quem tem o que fazer, as pessoas correm tanto com o que fazer que nem olha para o que a cidade não tem a oferecer. Maria não entendia por que o Centro da cidade que leva o nome de Centro por que é aonde começa a cidade. Ser assim... Tão feio, sujo, pichado... Podia mudar o Centro de São Paulo para Brasília ai só ia ter político e para eles, acredite, ia ficar bonitinho!Maria pensava no que fazer. Não tinha dinheiro e nem sabia como arrumar. Maria não acreditava. Como pode uma cidade com tanta coisa para fazer! E ela não sabia o que fazer. Balançou a cabeça e continuo. Para aonde eu não sei! Nem Maria sabia. Nem ela sabia o que fazia ali. Parou na Praça do Correio e ficou olhando gente banhando na fonte. Que horror! Gente sem classe, aonde já se viu tomar banho de roupa, que fique pelo menos nus.Uma cara besta encostou-se nela: - E ai gracinha ta sozinha? Não, estou com sua mãe, ela está tomando banho na praça, olha lá, o cara se foi. Ela ficou a imaginar o que fazer naquele lugar chamado Centro.Seguiu em frente e saiu na rua que vende essas coisas ai que usam no computador. Ora povo sem educação! Um ambulante gritou no ouvido dela, ela virou e falou um palavrão para ele. Explicou-se para a mulher ao lado que ouviu o palavrão. Para que quero programas de computador se nem tem computador! Maria viu de longe uma mulher sentada no chão com uma ferida na perna pedindo esmola, se indignou. Em São Paulo até doença dá dinheiro! E ela não sabia o que fazer para conseguir o dinheiro dela. Ela balançou a cabeça e continuou até cansar de olhar coisas sem sentido e pessoas sem cultura. Por que Maria sim era culta, tinha um pôster da última virada cultural na porta de seu quarto.Entrou na Igreja de São Bento, ficou deslumbrada com tanta beleza, chorou quando viu o homem Crucificado e se assustou com o valor do dízimo cobrado, saiu da li correndo. Para que vou comprar lugar no céu? Se aqui na Terra eu pago alugue!Passou na 25 de Março comprou um monte de muamba e entrou no ônibus, entrou não no sentido de entrar, por que nos ônibus de São Paulo você não entrar é empurrado para dentro a força. Chegou em casa abraçou seu três filhos, ouviu o ronco do seu marido que dormia bêbado no sofá. Ligou a televisão e ficou a fantasiar a cena linda que via. Mulheres perfeita com homens perfeito vivendo e lugares perfeito e pensou. - Esse povo nunca veio no centro de São Paulo no horário de pico! Pegou a tábua e foi passar roupa.
Osvaldo Valério