domingo, 25 de julho de 2010

O preço de uma escolha!



O sinal tocou e todos saíram correndo para o pátio da escola. Ana sentou em um local isolado, pegou seu diário e começou a escrever os seus pensamentos. Apesar de ter dezesseis anos, gostava de escrever a sua vida.
Suas amigas a condenava por isso, e também por ela ainda ser virgem; com se isso fosse uma doença, e na verdade, isso também a incomodava, queria sim, sentir o que as amigas falavam para ela, essa coisa boa que é o sexo, queria arrumar um namorado, o seu príncipe, mas só encontrava sapo!
O sinal bateu e ela voltou para aula, e recebeu a noticia que o professor havia faltado, pegou suas coisas e saiu, viu sua amiga conversando com dois caras e foi falar com ela.
Oi Ana!
Esse é o Roberto meu namorado e esse é o Rafael amigo dele.
Ela os cumprimentou e foi para casa, o Rafael a seguiu, e começou a puxar conversa, pensou: mais um sapo querendo me beijar! Respondia com frases pequenas para a conversa acabar logo, mas Rafael insistia e a venceu pelo cansaço: deu um beijo nele para ele a deixar em paz.
No outro dia ao sair da aula, o raio de Sol ofuscava um pouca a vista dela, mas mesmo assim viu o que não queria ver. O Rafael deveria ter uns vinte e dois anos, vestia de modo estranho, falavam em giras, não parecia nada com o príncipe que ela sonhava. Antes de concluir seu pensamento ele veio e a beijou. Ela ficou parada, não esperava!
Ele a pegou pela mão e levou para sentar em um ponto de ônibus. Pensou ela: - muito romântico isso! Eles falaram de tudo, o Rafael muito engraçado, ela nem viu o tempo passar, e dali surgiu um namoro. Sonhava que um dia seu sapo virasse um príncipe!
Tudo segui bem, todo dia Rafael a esperava na porta da escola e ela ficava namorando com ele, conversando, dando risada, estava feliz, e o Rafael já não era tão feio como no inicio, tudo seguia bem, até Rafael vencer ela pelo cansaço pela segunda vez.
Ela aceita ir para casa dele depois da aula e aconteceu o que Ana sabia que ia acontecer, ela perdeu a virgindade, não foi nada de conto de fada, nada prazeroso, mias não importava para Ana, o que importou mesmo foi que daquele dia em diante, não tinha mais conversa demorada no ponto de ônibus, beijos gostosos na porta da escola, era sempre a mesma coisa, saia da escola e ia para casa dele.
Depois de um tempo Ana começou a gostar de fazer sexo com ele. Ana gostava daquela vida de namorada, de manha estudava e a tarde ficava com ele.
Um belo dia percebeu que a menstruação não vinha, os dias passavam e nada, os enjôos começaram, a tontura a derrubava, e o mundo desabou sobre ela, foi confirmado. Ana estava grávida!
Seu pai a expulsou de casa. Foi morar na casa do namorado, outra vez invadiram seu conto de fada, morava em uma casa grande, tinha seu quarto, geladeira farta, e se viu morando em uma casa de dois cômodos, que morava, uma família de quatro e com ela cinco pessoas, e ali começou a transformação em sua vida, nunca havia passado fome e começou passar, o pouco dinheiro que tinha comprava bolacha escondia para comer quando todos dormiam, mas estava apaixonada e a paixão agüenta tudo, até pegar o dinheiro que ganhava, por que começou a trabalhar na feira, e sustentar a casa. Seu namorado não conseguia emprego, o mercado tava difícil, dizia ele.
Morando ali descobriu que seu príncipe não prestava, se envolvia com drogas, que já tinha um filho com outra mulher. Como ela foi boba! Por que não viu isso antes, uma pessoa que fica meio dia na porta da escola esperando as adolescentes sair da aula, quando deveria está trabalhando, o que se pode esperar de uma pessoa dessa?
Com muita luta sua filha nasceu, uma menina linda, era mágico ser mãe. Dali seus problemas só aumentaram passou tanta necessidade que seu pai ficou com remorso e a levou de volta para casa, chorou por perceber que sua casa não era mais o castelo que ela deixou, saiu da casa como princesa, e voltou mãe, seu pai rígido que era, falou:
- Você voltou para minha casa, mas agora você vai viver exclusivamente para sua filha!
Eu não sabia o que era isso, mas aprendi, quando minha filha acordava, eu tinha que está acordada com o leitinho dela feito.
Sexta-feira minhas amigas todas felizes se arrumando para ir se divertir na noite bonita que se formava, eu olhava para lua e antes de concluir meus pensamentos escuto o choro da minha filha e fui fazer a mamadeira dela e colocar ela para dormi, eu sentei na cama e fiquei imaginando onde minhas amigas estavam e o que faziam e bateu uma tristeza.
O mundo tinha se transformado para mim, virei mãe quando na verdade eu só queria transformar um sapo em um príncipe, me vi uma menina ter que criar uma filha sozinha, ter que ser mãe quando eu queria era me divertir, sair, curtir e conhecer meu verdadeiro príncipe!
Um dia Ana resolveu sair com suas amigas e levou a filha com ela, que já estava um pouco grande, foi quando ela sentiu realmente o que tinha feito com sua vida, os erros que ela cometeu vieram naquela hora, suas amigas se divertindo, dançando, beijando, e ela sentada com sua filha no colo, foi nesse dia que entendeu o que era viver exclusivamente para sua filha, simplesmente levantou e foi para casa, depois desse dia ela não sai mais e vivia só para filha.
Ela gritou para si mesmo: - a minha vida mudou, eu perdi a melhor fase da minha vida, a minha juventude, por não ter me cuidado e ter usado camisinha, quando eu aceitei fazer com ele sem camisinha eu estava mudando a minha vida naquele momento, a vida dele continuou a mesma, por que geralmente quem cria filho é a mãe! Hoje a minha filha tem dez anos, tudo é diferente, ela é mais minha irmã do que minha filha, fico pensando o que teria sido de mim se meu pai não tivesse me acolhido de volta.
Ter filho é ótimo! Mas planejado, dentro de um lar como uma família.
Use camisinha e não deixa um único momento mudar toda a sua vida!

7 comentários:

  1. Meu amor,

    Não tenho palavras para descrever a emoção que senti com esta história. Uma mistura de vida real e conto de fadas. Uma história que acreditamos que jamais acontecerá em nossas vidas, em baixo do nosso teto e dentro de nossos corações!

    Adorei, mais uma vez obrigada!

    Bjs da sua Pri

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  2. EXCELENTE!!! Como sempre ....

    Adoro Vc meu Escritor preferido!
    Bjs

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  3. Vinícius Fontana28 de julho de 2010 09:43

    Caraca Zoukeiro... (rsrsrs)

    Parabéns! =)

    Um Abraço!

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  4. Ehhhh

    a realidade misturada à fantasia que muitos acreditam ser lenda...

    Isso eh mais comum do que imaginamos...
    Me vejo na mesma situaçao, pois tive 2 filhos planejados e desejados, mas, me separei e hoje me vejo na mesma situaçao, apesar de tods os cuidados tomados na adolescencia, hoje sou essa mesma mae.
    Os pais pecam em nao dar apoio, mas, o ceto é isso, apoiar porém exigir.

    Filho, eh pra sempre... planejados ou nao, podemos ser pegos no meio do caminho...

    Queria que passassem menos a mao em minha cabeça para que eu nao desse a desculpa da faculdade e do emprego e ser essa mae descrita em Ana...

    Como sempre, arrasou nas palavras!!!

    Pura realidade em qualquer fase da vida... Camisinha sempre, galera!!!!!

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  5. Amei o texto, partilho da mesma opinião, e vou utilizá-lo (desta vez é claro se você autorizar rsrrs)para ilustrar minhas aulas de planejamento famíliar e controle financeiro doméstico.

    Bjs Fernanda

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  6. Parabéns...
    A realidade é isso ai mesmo,até parece que estava vivendo o momento..rsss

    bjimmm no coração

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  7. Oiee, meu lindo !!

    Realmente um belissímo texto que relata uma triste realidade.

    Parabéns !!!!


    Bjs,

    Sua Faby

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